Educar para transformar
- Pedro Oliveira
- 4 de nov. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 5 de nov. de 2022
82% dos transsexuais e travestis no Brasil abandonaram os estudos ainda na educação básica

A falta de recursos atrelados a projetos de incentivo ao pertencimento de corpos transexuais e seu empoderamento eleva, no sistema educacional, a ausência desses corpos em sala de aula. Colaborando, assim, com uma estatística de grande evasão escolar.
Um dos motivos mais ressaltados pelas pessoas trans são os banheiros nas escolas, onde debate-se firmemente o direito de utilizar aquele com o qual se identifica. Contrária a isso, uma parcela das pessoas cisgeneros, ou seja, é o indivíduo que se identifica com o sexo biológico com o qual nasceu, em prova de seu preconceito recriminam e geram esse impasse.
Em entrevista ao Portal Futura, Sayonara Nogueira, educadora e presidente do Instituto Brasileiro Trans de Educação, explica que não aconteceu na escola a inclusão devido a questões familiares, incluindo na situação do aluno.
"Em uma escola pública de Uberlândia, MG, uma estudante trans, de 16 anos, foi autorizada pela instituição a usar o banheiro dos professores. O conflito não foi causado pelos alunos ou corpo docente, mas por familiares que não aceitaram o fato de a aluna usar o banheiro feminino”, disse Sayonara Nogueira.
Em consequência, observa-se que, por todas as retaliações sofridas, dificilmente é vista e quantificada a participação das pessoas trans na escola. O que pode levar a mais um indivíduo das estatísticas de pessoas sem ensino, posteriormente sem trabalho e sem condições de vida.
O Ministério da Educação, 17 de Janeiro de 2018, em resolução alinhada ao direito dos trans adultos, foi autorizada a utilização do nome social na forma de ajudar na minimização da discriminação sofrida, fazendo com o que prevaleça seu direito de existir se sente melhor.
Mesmo sob esse cenário, a figura do professor é papel importante para gerar o conhecimento sobre o tema e trazer a integração e o exemplo para os alunos, o que reverbera no contexto social interno e externo. Dentro disso, a condição de inclusão aos trans é o respeito de como a pessoa deseja ser conhecida.
A pesquisa feita pelo defensor público João Paulo Carvalho Dias, presidente da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), relata que 82% dos transexuais e travestis no Brasil abandonaram os estudos ainda na educação básica.
Importante que a educação trabalhe com o entendimento sobre gêneros e sexualidade, pautando no esclarecimento e no respeito.
Luno Ramos, 20, assistir uma palestra de uma não binarie sobre LGBTQIA+, no âmbito acadêmico foi fundamental. O espaço aberto para falar sobre seu processo de descobrimento, entendimento fez com que refletisse mais sobre si.
"Eu me identifiquei muito, foi então que comecei a me questionar e pesquisar sobre, demorei um tempo pra me entender, por medo do julgamento, mas no âmbito acadêmico da Universidade, digamos que é mais fácil, pois as pessoas têm a mente mais aberta", contou a estudante", declarou Luno.
Luno ainda acrescenta que, através da compreensão, a sua identificação ficou mais clara para si mesmo ao se identificar na sociedade. Mesmo assim cita um pouco mais sobre o desafio das diversas opiniões ao seu respeito.
"A minha performance, sempre choca as pessoas por mais simples que eu acho que esteja, sempre há olhares, cochichos e afins, a maioria dos professores costumam me respeitar e até tem curiosidade e perguntam sobre, meus colegas me respeitam bastante, nunca tive nenhum impasse por causa de vestimentas, maquiagens ou qualquer coisa que agregue na minha performance", concluiu o estudante.
Sua experiência onde esperava que seria negativo porém foi positivo apesar de que reconhece que foi uma exceção ao caso e essas pessoas foram fundamentais para construir esse lugar de oportunidade dela e de muitas pessoas ser quem são. É necessário transcender o conhecimento e abraçar a narrativa dos corpos em sua pluralidade.
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